As competências socioemocionais e sua importância na formação do estudante

Algumas habilidades emocionais e comportamentais estão sendo cada vez mais valorizadas na formação do profissional

Pensamento crítico, capacidade de se comunicar, trabalhar em equipe, resolver problemas. Qual profissional não precisa de habilidades assim? Que empresa não necessita que seus colaboradores tenham tais características?

Chamadas de competências socioemocionais ou não cognitivas, elas contribuem para a formação de um cidadão socialmente responsável, que sabe lidar com as próprias emoções e se posicionar nas relações com o mundo. Elas podem ser definidas como um conjunto de aptidões desenvolvidas a partir da inteligência emocional de cada indivíduo.

Por isso, embora não estejam dentro do escopo de competências técnicas exigidas pelas profissões, as competências socioemocionais têm cada vez mais ganhado importância e espaço nos currículos das instituições de ensino.

‘Conhecimentos isolados não alavancam carreiras’

Quando as habilidades socioemocionais são trabalhadas concomitantemente ao conteúdo técnico, todo mundo ganha. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna aponta que, inclusive, uma depende da outra para se desenvolver. Juntas, elas colaboram para a formação de maneira plena do ser humano.

Por isso, ressalta Ricardo Cançado, Vice-presidente de Operações da Ânima Educação, as habilidades socioemocionais têm de estar muito articuladas na construção do percurso formativo dos alunos. “Nem conhecimento técnico, nem domínio das competências não cognitivas são capazes de, isoladamente, fomentar e alavancar as carreiras e sonhos dos nossos alunos. Eles precisam andar juntos.”

Carol Sarmento, Diretora Comercial e de Marketing da UniSociesc, acrescenta que rápidas mudanças nas profissões e adaptações a novas tecnologias devem fazer com que as capacidades técnicas inclusive fiquem em segundo plano.

“As competências socioemocionais, por outro lado, ensinam os estudantes a se adaptarem às mudanças das profissões ao longo dos anos. É um aprendizado que fica para sempre, não importa quais sejam as mudanças da sua carreira”, compara.

Por que as habilidades socioemocionais são importantes?

Ao dar importância ao desenvolvimento das competências não cognitivas, as instituições de ensino contribuem para a formação de um aluno mais autônomo, crítico e capaz de ser protagonista da sua aprendizagem. O indivíduo que sabe lidar com suas emoções está mais preparado para enfrentar e propor soluções para os desafios do século 21.

As habilidades socioemocionais também são importantes para promover a verdadeira diversidade das instituições de ensino, avalia Ricardo Cançado.

“As universidades estão cada vez mais extrovertidas e vão precisar interagir com a diversidade sob todos os aspectos: culturais, de línguas, crenças, valores. Saber trabalhar e pensar em grupo vai ser o passaporte para a interação dos alunos. Serão elementos fundamentais para que ele navegue no novo mundo do trabalho, das organizações”, finaliza.

Como aplicar as competências socioemocionais em sala de aula e o papel da psicologia positiva

Há duas maneiras de as instituições de ensino trabalharem as competências socioemocionais. Uma é na prática, com dinâmicas e exercícios. A outra, mais subjetiva, é aplicada em sala de aula de forma indireta pelos professores.

Quando pensamos na prática, um dos meios mais poderosos de desenvolver habilidades socioemocionais são as atividades em grupo. Em turmas, os alunos podem ser desafiados a buscar soluções para problemas reais da carreira e ter de lidar com sentimentos como frustração, capacidade de liderança e senso de cooperação. Isso ajuda também a treinar a comunicação e a troca de experiências, exercício que contribuirá para o trabalho em equipe na carreira profissional.

Outro exercício muito rico é sugerir que os estudantes analisem dilemas éticos. Dessa forma, eles podem exercitar habilidades, como o pensamento crítico e o autoconhecimento.

Já na aplicação subjetiva, entra o papel da psicologia positiva. “Criada por Martin Seligman, ela tem como base a ideia de que pensamentos otimistas podem ser ensinados e praticados. Os professores têm um papel importante nisso, principalmente quando um aluno não vai bem em alguma matéria ou prova. Passar uma mensagem otimista durante essas pequenas frustrações, pode ajudar a prepará-los mentalmente para as decepções e desilusões mais graves no decorrer da vida profissional”, explica Adilson Jose de Aviz, Coordenador dos cursos de Psicologia e Pedagogia da UniSociesc.

Adilson conta que, na instituição, os professores são orientados a se posicionar como uma rede de apoio para o estudante. “Além de ajudá-los a lidar melhor com suas emoções e manter uma sua autoestima, isso evita a associação da imagem do professor com a do ‘vilão’, assim como, no futuro, os chefes devem ser vistos como mentores, e não somente como o superior responsável por checar se seu trabalho está sendo bem feito”, complementa.

Competências socioemocionais no centro do projeto Ânima desde 2014

Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que norteia os currículos das escolas de educação básica no Brasil, as habilidades socioemocionais estão presentes em todas as dez competências gerais.

No ensino superior, a Ânima Educação, grupo do qual a UniSociesc faz parte, foi precursora ao valorizar as competências socioemocionais e deixá-las na centralidade do seu projeto pedagógico desde 2014. Sete delas foram eleitas como primordiais e são desenvolvidas nos currículos das instituições que compõem o grupo. São elas: pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, inovação, comunicação, colaboração e identidade.

Todas elas também são trabalhadas no Laboratório de Aprendizagem Integrada (LAI), que ainda contempla competências ligadas à carreira, como flexibilidade e adaptabilidade, produtividade, liderança, colaboração e accountability (atitude de agir com responsabilidade e ética nas relações interpessoais).

Na prática, o LAI é dividido em módulos que contam com encontros presenciais e atividades desenvolvidas por uma plataforma online gamificada com objetos de aprendizagem, como jogos, quiz, textos e vídeos. A partir do terceiro módulo do curso, os alunos que quiserem podem contar com a apoio de professores mentores para ajudá-los na realização dos seus Projetos de Vida e também na busca por projetos de carreira, estágio, iniciação científica, entre outros.

“Precisamos ajudar os estudantes a desenvolver suas habilidades socioemocionais respeitando o que eles desejam em termos de vida e carreira. As pessoas precisam entender que existem habilidades socioemocionais que vão ser mais relevantes para o mundo, para formar um bom profissional, do que determinados conteúdos”, afirma Rafael Ávila, Diretor de Inovação da Ânima Educação.

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