Clubhouse: app de áudio pode ser usado no meio acadêmico, mas ainda tem restrições

Rede social que passou a bombar no início de 2021 pode se transformar em uma sala de aula virtual e conectar grupos de trabalho

Clubhouse, a nova rede social de troca de mensagens por áudio, teve um crescimento de usuários no Brasil estimado em 600% só em fevereiro deste ano, segundo dados de sites de tecnologia.

Mas o que é esse negócio? O Clubhouse é uma rede social criada pelos amigos Paul Davison (ex-Pinterest) e Rohan Seth. (ex-Google). A plataforma foi lançada em março de 2020 nos Estados Unidos com o objetivo de reunir pessoas para conversar sobre diversos temas, como tecnologia, marketing, comportamento, cultura, viagem, arte, dentre outros.

Em resumo, trata-se de uma rede social de áudio que permite conectar várias pessoas em um grupo. As conversas acontecem em uma “sala”. Os usuários seguem uns aos outros e o algoritmo recomenda salas, onde é possível ouvir as conversas, interagir ou mesmo moderar. Se não gostar, basta sair de fininho (clique em “Leave Quietly”). O Clubhouse se parece com uma grande palestra, porém com mais interação, e tudo é ao vivo.

Não há likes, comentários ou “métricas”. O sucesso do encontro é medido pelo número de pessoas nas salas (“rooms”). A participação de famosos atraiu novos usuários para o Clubhouse: Anitta, Oprah e Drake são alguns nomes que já entraram em salas públicas.

Qualquer pessoa que tenha criado um perfil no Clubhouse pode entrar em grupos para escutar e participar de uma discussão (falar), desde que o anfitrião libere o seu microfone. Também é possível criar uma sala aberta (para qualquer pessoa acessar) ou montar a própria sala e convidar outros participantes – e aí entram as possibilidades de utilização nos ambientes virtuais de aprendizagem.

É possível criar uma sala de aula de uma determinada disciplina, com a presença do professor e dos alunos, que se reúnem em um determinado dia da semana e horário. Ou, ainda, criar uma sala com os colegas para discutir um projeto, tirar dúvidas etc. Quem monta a sala consegue agendar conversas no ícone de calendário na parte superior do aplicativo. É possível dar nome para o evento, inserir descrição, a data e o horário, incluir um moderador etc.

Dicas de etiqueta

Como se trata de uma conversa ao vivo, é essencial manter a organização para que todos possam se entender. E, assim como nos encontros virtuais em vídeo ou até na sala de aula presencial, existem umas regrinhas de comportamento visando o respeito com os participantes e para que o conteúdo possa ser assimilado sem interferências.

Confira:

Aguarde sua vez

Essa é básica, né? Não fale em cima dos outros. Aguarde o colega ou professor acabar de falar para intervir. Clique na mãozinha (como já existe nas salas de aula em vídeo) para pedir sua vez de falar.

O som ao redor

Já participou de alguma reunião virtual onde, ao fundo, o cachorro latia, criança chorava, passava ônibus…? Ruídos de fundo atrapalham a concentração de todos e abafam sua voz. Se você não for só ouvinte, e for falar, preste atenção se os sons da rua não estão atrapalhando o áudio e se não tem gente falando alto por perto. Se não estiver falando, coloque seu microfone no mudo, para não atrapalhar os outros participantes.

Tenha um moderador

É importante que salas com vários participantes tenham um moderador. Em aula, esse papel caberá ao professor, para que haja uma interação entre os estudantes, estimulando a participação de todos e também segurando os que se empolgam e falam demais. Pode até ser estabelecido um tempo, como, por exemplo, dois minutos de fala como ideal. Demais grupos podem eleger um moderador.

Restrições

Uma das restrições à utilização do Clubhouse é que, para participar dele, é preciso ser convidado por alguém que já está no app ou então fazer a solicitação e ficar numa ‘lista de espera’, até que um contato libere sua entrada. Isso pode demorar até alguns dias. Cada pessoa que integra o Clubhouse recebe dois convites para enviar a outros usuários e chamá-los a participar.

Outro fator que pode se transformar em obstáculo é que o Clubhouse é restrito a quem tem iPhones/iPads (que são caros e nem todo mundo tem). Isso pelo menos até o momento. Donos de Android encontrarão outro aplicativo com o mesmo nome, porém a versão que aparece no Google Play não tem relação com a rede social. No blog do Clubhouse, os fundadores dizem que o serviço é “para todos” e afirmam que “estamos entusiasmados em começar a trabalhar em nosso aplicativo Android em breve”. A conferir.