Entenda as diferenças entre cursos técnicos e tecnólogos

Ambos estão voltados para a qualificação profissional, mas só os tecnólogos se classificam dentro do ensino superior e, por isso, são considerados graduação

Embora a nomenclatura seja parecida, os cursos técnicos e tecnólogos possuem muitas diferenças. Você sabe quais são? A primeira e mais determinante é que eles estão classificados em modalidades distintas de ensino.

Os tecnólogos, também chamados de cursos de tecnologia ou tecnológicos, fazem parte do ensino superior, por isso são considerados graduação. Já os técnicos não recebem este título. Ou seja, para cursar um tecnólogo, o estudante precisa ter concluído o ensino médio. Já entre os técnicos há opção, dependendo do modelo, de cursá-los só com o diploma do ensino fundamental e idade mínima de 16 anos.

 

Cursos tecnólogos: formação superior prática, rápida e com alto grau de empregabilidade

Se o objetivo do estudante é ampliar sua chance de empregabilidade de forma prática e rápida, ao mesmo tempo em que conquista um diploma superior, com a qualidade e especialização que isso carrega, o curso tecnólogo é a escolha certa.

“São cursos superiores de formação rápida, com duração de 2 a 3 anos, ideal para quem busca uma carreira específica e não a ampla gama de profissões que o bacharelado oferece, priorizando uma especialização mais aprofundada e com menor tempo de duração”, resume Flavio Garcia Sartori, Diretor da Regional Norte da UniSociesc.

Responsável por dirigir os campi de Joinville, Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, todos em Santa Catarina, Flávio explica que, embora dure menos tempo, o nível de empregabilidade ao final de um tecnólogo é tão alto quanto um curso de bacharelado. Isso porque, essa modalidade trabalha com nichos específicos, atendendo às necessidades do mercado e proporcionando uma formação ágil e prática.

Exemplos disso são os cursos tecnólogos de Estética e Cosmética, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Gastronomia, oferecidos pela UniSociesc. “A ideia é que o estudante saia pronto para ingressar em profissões já pré-determinadas e, geralmente, quem opta por ele já tem um plano de vida mais ou menos definido. O aluno de um tecnólogo de gastronomia, por exemplo, sai do curso capacitado para trabalhar como chef de cozinha, uma opção ainda praticamente inexistente no bacharelado”, explica Flávio Sartori.

 

Cursos tecnólogos estão divididos em 13 eixos e cresceram 140% em demanda em uma década

Atualmente, o MEC estrutura a organização dos cursos superiores de tecnologia em 13 eixos tecnológicos: Ambiente e Saúde; Controle e Processos Industriais; Desenvolvimento Educacional e Social; Gestão e Negócios; Informação e Comunicação; Infraestrutura; Militar; Produção Alimentícia; Produção Cultural e Design; Produção Industrial; Recursos Naturais; Segurança; Turismo, Hospitalidade e Lazer. Cada item possui seus desdobramentos resultando em 134 denominações de cursos superiores de tecnologia, de acordo com a última revisão do catálogo em 2016.

Assim como os cursos de bacharelado e licenciatura, os tecnólogos são reconhecidos como graduação e habilitam os concluintes a seguir para outras etapas da educação, como mestrado ou doutorado.

O mais recente Censo da Educação Superior Escolar, de 2018, apontou que as matrículas nos cursos de graduação tecnológica aumentaram 9,9% em 2018. De 2008 a 2018, as matrículas nos cursos tecnológicos aumentaram mais de 103%.

 

Cursos técnicos oferecem formação profissional em nível médio

Agora, quer saber um pouco mais sobre os cursos técnicos de nível médio? Eles são uma modalidade da educação profissional destinada aos estudantes de ensino médio ou às pessoas que já o concluíram.

Possuem legislação própria, diretrizes curriculares específicas e podem ser desenvolvidos de forma articulada com o ensino médio regular, com um currículo integrado e concomitante, ou subsequente à conclusão do curso.

“Ao contrário do tecnólogo, o curso técnico não é uma formação superior”, explica Flávio, da UniSociesc. “A ideia do curso técnico é dar uma qualificação profissional mais elevada para atuar em diversos ramos da sociedade, em colocações que não necessariamente precisam de um ensino superior para serem realizadas.”

Para explicar a fundo o intuito do curso técnico, o diretor da UniSociesc remonta à origem da instituição, na década de 50, sob o nome de Escola Técnica Tupy – sim, a universidade nasceu como um curso técnico, e não uma graduação.

“Hans Dieter Schmidt, que em 1958 era presidente da Fundação Tupy, uma indústria de metalurgia, percebeu que os funcionários não tinham a destreza técnica para operar os equipamentos, importados da Alemanha. Para solucionar isso, teve a ideia de fundar, em 1959, a Escola Técnica Tupy, com um curso técnico profissionalizante voltado a capacitar pessoas a trabalhar na fundição de metais”, conta.

O exemplo se repete em outras áreas. No curso técnico de Farmácia, você aprende a manipular e controlar medicamentos e cosméticos, além de atuar no controle e qualidade de produtos na indústria farmacêutica – funções que dispensam curso superior, mas precisam de uma mão de obra qualificada.

A UniSociesc oferece, por meio da Escola Técnica Tupy, em Joinville, um total de 18 cursos – além de Farmácia e Metalurgia, alguns exemplos são Contabilidade, Design Gráfico, Enfermagem, Informática e Recursos Humanos.

 

Cursos técnicos de nível médio englobam 580 mil alunos

Em 2018, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), dos 9,3 milhões de estudantes do ensino médio, 6,2% frequentavam curso técnico de nível médio, o equivalente a 580 mil pessoas.

O MEC também criou o catálogo nacional de cursos técnicos. Nele, você também pode consultar se o curso de seu interesse é ofertado. O documento foi formado a partir de demandas do mundo do trabalho e para orientar estudantes e instituições.

Assim como os tecnólogos, os cursos técnicos foram agrupados em 13 eixos tecnológicos. São eles: Ambiente e Saúde; Controle e Processos Industriais; Desenvolvimento Educacional e Social; Gestão e Negócios; Informação e Comunicação; Infraestrutura; Militar; Produção Alimentícia; Produção Cultural e Design; Produção Industrial; Recursos Naturais; Segurança; Turismo, Hospitalidade e Lazer. Na última atualização do MEC, em 2014, os cursos se desdobravam em 227 opções.

O documento ainda define cargas horárias, infraestrutura mínima para o funcionamento do curso, campo de atuação, normas associadas ao exercício profissional, entre outras diretrizes.

 

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