Extensão Curricular traz especialização profissional e comprometimento social

Cursos e projetos de extensão curricular trazem habilidades técnicas e socioemocionais com alta demanda no mercado e funcionam ainda como iniciação à área acadêmica

Se você já fez, ou atualmente está cursando alguma graduação, certamente já ouviu falar dos cursos e projetos de extensão curricular. Mas o que são eles? Quais são seus objetivos? E os benefícios?

Eles funcionam em vários formatos e com diferentes durações, podendo ser um projeto anual permanente, onde o estudante pode participar por um semestre, ou mesmo atuações mais curtas, com semanas ou meses de duração.

Duas características, porém, são essenciais quando se trata de cursos e projetos de extensão: eles precisam promover um aperfeiçoamento prático dos conhecimentos adquiridos em sala de aula e devem contribuir, de alguma forma, para a transformação social da região onde a universidade está inserida. Quem explica é Rachel Ballardin, diretora regional Florianópolis e Vale da UniSociesc. 

“Um currículo que contempla só sala de aula não forma um profissional completo. Ele não teve a oportunidade de interagir com a comunidade e colocar em prática tudo que foi ensinado. A ideia dos cursos de extensão, portanto, tem dois vieses principais: treiná-lo na prática para o mercado de trabalho e, principalmente, dar significado para a sua profissão, mostrar como ela será essencial para a sociedade que vive”, aponta Rachel.

Projetos de extensão geram especialização profissional… 

Quando o estudante coloca na prática os aprendizados de sala de aula em um projeto de extensão, essa experiência acaba funcionando como um treino para a vida real e até mesmo como uma especialização profissional, já que, geralmente, esses projetos têm foco em alguma atuação específica dentro da área de conhecimento.

“Ao participar de um projeto de extensão, o estudante não só gera significado no estudo, como também fixa muito melhor aquele determinado conteúdo, o que o torna um profissional muito apto e preparado a atuar nesta área”, pontua a diretora responsável por quatro unidades da Unisociesc: Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau e Florianópolis.

E quando fala em aptidão profissional apreendida em projetos de extensão, Rachel, que é doutora em Pesquisa e Avaliação do Ensino Superior, refere-se tanto às hard skills, habilidades técnicas necessárias na atuação profissional, quanto às soft skills, que são as competências socioemocionais. 

Isso porque, ao lidar diretamente com a comunidade, o estudante desenvolve competências socioemocionais não ensinadas em sala de aula, como ter comunicação clara e eficaz, empatia, raciocínio lógico para solucionar problemas comuns da profissão.

“Nosso compromisso não é só formar profissional com o conhecimento técnico, mas também um ser humano, uma pessoa com as competências necessárias para ingressar na sociedade. Para isso, ele vai mobilizar tudo que aprendeu em vários níveis da aprendizagem da graduação,  resgatando conteúdos para aplicar em pessoas reais, com problemas e desafios reais”, explica Rachel.

…ao mesmo tempo que ajudam comunidade local

Além de colaborar na qualificação dos profissionais, os projetos de extensão costumam ter um viés social. Na UniSociesc, por exemplo, eles têm como ponto principal trazer melhoria para a comunidade local. “Isso pode envolver ajudar a melhorar a realidade social, econômica, o meio ambiente, a saúde, a produção artística e cultural, entre outras frentes”, resume Rachel Ballardin.

Ela exemplifica com um projeto de extensão de fisioterapia promovido pela UniSociesc. Nele, estudantes da graduação passaram a atender, gratuitamente, idosos da região, que não tinham condições financeiras para bancar um fisioterapeuta por conta própria.

“Os idosos queriam, e os estudantes precisavam praticar o atendimento, então o benefício mútuo é óbvio. Existem dezenas de modos que uma universidade e a comunidade podem se ajudar, é só pesquisar e descobrir”, conclui a especialista.

Projetos de extensão: bom para o mercado de trabalho ou para vida acadêmica?

Segundo a diretora regional da UniSociesc, projetos de extensão valem tanto para a atuação profissional quanto como uma iniciação à carreira acadêmica. Ela explica:

  • Para o mercado de trabalho: “Em nossos projetos de extensão, o foco é sempre desenvolver habilidades e competências socioemocionais que a atividade profissional demanda. Um aluno de Direito que vai para um projeto social, por exemplo, vai desenvolver as habilidades e competências que serão usadas na profissão. Ao atender sua comunidade, ele estará muito mais preparado para atender clientes, uma vez formado”
  • Para a carreira acadêmica: “De maneira geral, é por meio de uma extensão universitária que um estudante dá os primeiros passos para a pesquisa acadêmica. É lá que ele ganha a paixão pela pesquisa, por assim dizer. Ao ingressar em um mestrado, por exemplo, é bem comum que os estudantes já tenham um propósito por trás, herdado de um projeto extracurricular. Ao dar significado para uma área de conhecimento, mostrando como ela é essencial para a sociedade, o projeto de extensão acaba estimulando o aluno a pesquisar, aprofundar e destrinchar tudo o que foi aprendido, teorizando novas formas de aplicar esse conhecimento na sociedade.”