Metodologias ativas de ensino: entenda as ferramentas

Metodologia ativa, como o nome diz, prevê que o aluno aprenda de maneira ativa por meio de resolução de casos, problemas e trabalho em equipe

É fácil perceber que o estudante do século 21 é mais ágil, mais informado e precisa ser desafiado em seu processo de aprendizado. Por isso, muitas instituições de ensino têm adotado a metodologia ativa, que pode ser aplicada da educação básica até o ensino superior.

“Costumamos explicar a metodologia ativa mostrando que ela é exatamente o oposto do processo tradicional de ensino”, diz Alessandra Novak, professora na área de Saúde e Meio Ambiente da UniSociesc. “Nele, o aluno ficava sentado e em silêncio, sempre voltado para o professor, que por sua vez explicava o conteúdo de forma expositiva, o que fazia do aluno apenas um integrante passivo do aprendizado. Mas, qual o momento em que mais aprendemos? Aquele em que estamos ativos, interagindo e utilizando nosso conhecimento adquirido para pensar e desenvolver o conteúdo.”

Dessa maneira, a metodologia ativa, segundo a professora da UniSociesc, prevê que os alunos sejam protagonistas de sua aprendizagem, estimulando o desenvolvimento da criação e pensamento autônomo. Os professores, por sua vez, atuam como mentores. Eles não apresentam respostas prontas aos estudantes, mas sim os incentivam a buscar e discutir soluções coletivamente, estimulando seu raciocínio lógico e criatividade.

O trabalho em equipe é muito presente, e o conhecimento é construído a partir de estudos de caso e resoluções de problemas que poderiam ser reais no mercado de trabalho. O método estimula os processos de ensino e aprendizagem sob uma perspectiva crítica e reflexiva.

“As metodologias ativas não são aquelas que fazem o aluno aprender passivamente o conteúdo, mas sim as que permitem que eles ‘viajem’ em sala de aula”, compara Rafael Ávila, diretor de inovação da Ânima Educação, organização da qual a UniSociesc faz parte.

Segundo Ávila, há um portfólio enorme de metodologias que garantem esse objetivo. Embora haja algumas diferenças entre um modelo e outro, em comum todos eles têm o propósito de colocar o aluno no centro da aprendizagem.

Aplicando a metodologia ativa no ensino superior

Mas, como aplicar, de fato, a metodologia ativa no ensino em sala de aula? Para Alessandra, o primeiro passo é conquistar o comprometimento do estudante – algo essencial para torná-lo ativo no ensino. Para isso, o professor precisa adotar métodos que tornem as aulas atrativas e interessantes. Veja alguns exemplos:

 

Aula Invertida e Ensino Híbrido

Falando de técnicas realmente práticas de como inserir a metodologia ativa em sala de aula, um dos exemplos mais claros é a aula invertida. Nela, o aluno tem acesso à parte teórica e a todos os conceitos antes de chegar em sala de aula, usando recursos tecnológicos para isso, indicados pelo professor previamente.

“Ao chegar em sala de aula com o conhecimento já adquirido, o tempo presencial pode funcionar de uma maneira muito mais ativa, com atividades em grupo e debates. O tempo que seria usado para aprender um tema será direcionado para desenvolvê-lo com questionamentos muito mais profundos e soluções além do que o conteúdo original ensinou”, explica Alessandra.

Esse método é possível graças ao Ensino Híbrido, modelo que une o melhor do virtual e presencial: conteúdos que não precisam de presença física para serem ensinados, são apreendidos em casa, na internet e em plataformas digitais, enquanto as atividades ativas e com maior troca entre estudantes e professores ficam para o presencial.

 

Design Thinking

O Design Thinking é um dos métodos mais sofisticados de metodologia ativa. Sua essência é resolver um problema prático de sua profissão, e funciona com quatro etapas principais: o entendimento do problema; a ideação, onde, com um debate coletivo, são colocados na mesa os pontos de vista e possíveis soluções para o desafio – uma forma de brainstorming -; a prototipação, momento em que as ideias e conclusões são colocadas no papel (podendo ser em diversos formatos, dependendo do curso, como desenhos ou projeções 3D); e, enfim, a validação, onde o resultado final é testado na prática.

“Essa é uma das maneiras de dar maior autonomia para o estudante criar soluções. Ele desenvolve não apenas seu conhecimento sobre o assunto, mas também sua capacidade de encarar um problema de frente, debater em equipe as possíveis soluções e, por fim, chegar a um consenso e decisão final de como solucioná-lo.”

 

Papel do professor

Embora as metodologias ativas de ensino coloquem o aluno no centro da aprendizagem, o professor continua tendo um papel relevante. Por isso, terá de ter ainda mais preparo, pois vai precisar ter a sabedoria, por exemplo, de estimular uma reflexão ou provocar um olhar diferente sobre uma outra perspectiva.

São os docentes, que no papel de mentores ou facilitadores, terão de pensar as aulas, organizar e mediar os debates, além de instigar os alunos a irem atrás do conhecimento que será construído de forma mútua.

Em suma, aprender com ajuda de metodologias ativas permite que os alunos adquiram maior autonomia e desenvolvam confiança. Possibilita, ainda, que os estudantes se tornem profissionais mais proativos, qualificados e aptos a resolverem problemas.

Tais qualidades, mais do que apenas o conhecimento técnico, têm sido cada vez mais buscados no mercado, já que problemas surgem todos os dias com as mudanças e atualizações das profissões, principalmente com o avanço da tecnologia.

 

TBL e PBL são algumas das possibilidades

Dentro do universo das metodologias ativas de ensino, há duas siglas muito faladas: Team Based Learning (TBL) e Problem Based Learning (PBL).

No TBL, “aprendizado baseado em equipe” na tradução, o objetivo é fazer com que os alunos busquem as respostas de forma coletiva. Uma aula de TBL funciona assim: os alunos fazem uma leitura prévia solitária indicada pelo professor. Em seguida, passam por um teste individual, e depois se reúnem em grupo para discutir e debater as questões dessa avaliação. A ideia é que as equipes entrem em consenso sobre as respostas corretas. O professor, então, faz um apanhado geral sobre o tema para entender se todos os alunos estão no mesmo nível de conhecimento.

No PBL, o “aprendizado baseado em problemas”, há algumas variações em relação ao método anterior. O professor apresenta um problema e propõe que os alunos discutam e formulem questões. Eles deixam a aula com as perguntas em mãos e são incentivados a buscar as respostas na literatura ou mesmo conversando com profissionais. Dias depois, a discussão é retomada e o mentor consegue avaliar a evolução do estudante na busca pelas respostas.

Em ambos os casos, as avaliações acontecem entre todos os envolvidos. O aluno se autoavalia, avalia colegas e professores, e também recebe feedbacks contínuos. A nova forma de ensinar ajuda a fixar mais o conhecimento e contraria aquela velha didática que incentiva a decoreba apenas para que o estudante tenha notas altas nas avaliações.