Quatro setores que devem ser reaquecidos no mundo pós-pandemia

Talvez nada volte a ser como antes, mas as mudanças já estão em andamento em setores como eventos, música e gastronomia

A pandemia do novo coronavírus colocou em marcha profundas transformações na sociedade, na saúde e na economia. Alguns setores específicos, porém, foram atingidos de tal maneira que provavelmente nada voltará a ser como antes – entre eles turismo, entretenimento e eventos. Mesmo após a descoberta de vacinas para a Covid-19, as próximas gerações serão muito mais preocupadas e cuidadosas com questões de saúde e higiene, por exemplo.

Mas, já de olho na retomada, esses segmentos estão se adequando para voltar a operar, com mudanças radicais, ou quase. Embora nesse exato momento quase ninguém saiba quais transformações serão mais ou menos aceitas, algumas tendências já vão se desenhando à medida que os dias passam e mudanças de comportamento são perceptíveis.

Confira a seguir pelo menos quatro setores que devem reaquecer no pós-pandemia e de que forma os profissionais devem se adaptar.

Turismo

Que saudade de fazer as malas e pegar um avião, não é não? Muita gente está sentindo o mesmo. Entre as principais tendências detectadas pelo setor estão o aumento da procura devido à demanda reprimida e a realização do sonho de viajar tão logo seja possível.

Os destinos que deverão estar mais em alta serão os nacionais e aqueles em meio à natureza, com foco, porém, na sustentabilidade social e ambiental. Também vieram para ficar de vez as tecnologias que dispensam o contato, como reservas até hospedagem, adequando-se às mudanças de comportamento dos futuros viajantes. Se antes o turista escolhia um destino ou um hotel de acordo com os benefícios oferecidos, o cuidado com a saúde passará a ser determinante para suas escolhas.

Há a tendência para que as pessoas se adaptem rapidamente aos menus em aplicativos, check-ins on-line e atendimento totalmente a distância. Indo um pouco mais além, também existe uma expectativa em relação ao uso de robôs, algo bastante comum em países habituados à tecnologia de ponta, como o Japão. Esses robôs serão responsáveis pelas entregas e pela higienização dos quartos, reduzindo o contato entre as pessoas.

Gastronomia

O delivery veio para ficar, disso ninguém mais duvida. Bares, restaurantes e demais serviços não pretendem descartar as entregas, bem como o serviço de retirada. Cardápios também tendem a permanecer via whatsApp ou QR codes. Mas a experiência gastronômica deve ser retomada com intensidade, pois desfrutar de uma boa comida é um prazer que não sai de moda.

É esperado que restaurantes e bares enxuguem seus cardápios, com poucos preparos diferentes, exigindo menos insumos e reduzindo risco de perdas, além de permitirem um preparo mais rápido. Essa reinvenção pode ser uma vantagem com os chefs trabalhando mais com produtos locais e sazonais, e até estreitando os laços com os pequenos produtores.

Eventos

É inegável que eventos on-line ganharam força total, permitindo a continuidade de muitas atividades. Esse formato deve continuar, com usuários adquirindo ingressos para conferir tudo no conforto de casa. Mas o Sebrae, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC) e a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), já preparou um protocolo com as principais recomendações para organização de eventos pós-pandemia, mantendo cuidados com a saúde. Entre as orientações para organizar eventos diante dessa nova realidade, estão:

  • Filas de acesso – distância de 1,5 metros entre as pessoas
  • Ambiente do evento – sempre arejado, com janelas abertas
  • Acesso principal – ponto de descontaminação com álcool para desinfecção de mãos e bolsas, entrega de máscaras e verificação da temperatura
  • Eventos com plateia – assentos com ao menos 1 metro de distância. Intercalar a ocupação ainda na venda de ingressos com assento numerado para garantir o espaço
  • Uso de máscaras – obrigatório para todos que estiverem no evento, sem exceções, antes, durante e após cada atividade.
  • Hall de entrada – tapete com solução desinfetante
  • Credenciamento – online, feito pelo participante antes de chegar ao evento
  • Alimentos e bebidas – oferta controlada dentro dos eventos. Separar um espaço adequado ao consumo e controlar a circulação de pessoas no local.
Shows e entretenimento

As indústrias criativas entenderam que a pandemia poderia permitir um aumento de horas de consumo de streaming de música e ficção audiovisual, cada um na sua casa. Mas a experiência de shows também deve continuar, de forma diferente. Assim como já está acontecendo com o cinema, as apresentações no modelo drive-in devem conquistar um público cada vez maior. Há também o consumo de playlists musicais específicas para determinadas atividades (como meditar, estudar ou relaxar).

Para algumas pessoas, ler um livro de papel continuará sendo uma experiência impossível de ser reproduzida no ambiente virtual, e as bibliotecas estão se adaptando: no estado americano do Colorado, por exemplo, as bibliotecas desenvolveram novos serviços para se adaptar à Covid-19. Entre os principais, estão entregas e devoluções de livros no modelo drive-thru e programas de acompanhamento por telefone dos frequentadores idosos. Além disso, agora, os livros

passam pelo menos 72 horas em “quarentena” depois que são devolvidos: essa foi a forma encontrada pelos responsáveis para garantir a eliminação de qualquer vestígio do coronavírus antes que o exemplar volte a circular. Mais uma prova de que o ‘novo normal’ veio para ficar.