UniSociesc cria robô esterilizador de ambientes para ajudar no combate ao coronavírus

Equipamento emite luz ultravioleta para desinfecção em segundos, mas também alia agentes químicos; trabalho é feito em parceria com empresa privada Cecbra

Alunos e professores da UniSociesc da unidade Jaraguá do Sul desenvolveram como projeto de pesquisa a criação do protótipo de um robô capaz de esterilizar ambientes, medida fundamental para o combate ao coronavírus. O trabalho é realizado em parceria com a CeCbra, um fabricante argentino de equipamentos eletromédicos de alta tecnologia. 

Esse tipo de robô até então só existia na China e no Japão, mas a versão catarinense foi pensada para ser menor e melhorar o acesso aos locais, além de ser mais barata. Outro diferencial do projeto da UniSociesc, que conta apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), é que ele alia dois processos de esterilização: físico e químico.

A esterilização física ocorre por meio da emissão de luz ultravioleta capaz de eliminar vírus, como o da Covid-19, em segundos. O procedimento químico é feito com abrasivos, como álcool em gel. Associadas, as ações vão evitar a sanitização manual, possíveis contatos com os vírus, além de agilizar o protocolo de desinfecção dos ambientes.  

“A luz ultravioleta tem eficácia em segundos seja sobre vírus, parasitas ou bactérias, por isso pode ser utilizada em curtos espaços de tempo. O diferencial é que ela trabalha em duas frentes. De tempos em tempos, emite aerossol de hipoclorito ou álcool, com intuito de atingir espaços que às vezes não chegam nas ilhas de sombras”, explica Flávio Garcia Sartori, Diretor da Regional Norte da Uniosociesc. 

O primeiro protótipo funcional está pronto e em fase de validação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele conta com três canais de 95W de potência, ou seja aproximadamente 300W de potência, que permitem a distribuição da luz de forma homogênea. 

O equipamento pode ser programável eletronicamente para maior segurança dos usuários, além disso a perspectiva é que sejam desenvolvidos diversos modelos que poderão ser aplicados principalmente em ambientes como universidades, meios de transporte, clínicas e hospitais. Ventosas, por exemplo, garantem que o robô chegue a locais de difícil acesso como embaixo de bancos de ônibus. 

Equipamento para melhorar a elasticidade pulmonar

Outra solução pensada no contexto da pandemia do coronavírus, também em parceria com a CeCbra, é o equipamento que ajuda a aumentar a elasticidade pulmonar, facilitando a respiração. Indicado para pacientes que testaram positivo para a doença, ele automatiza os exercícios pulmonares realizados em fisioterapia, fortalece a capacidade respiratória e minimiza a necessidade do uso de ventiladores mecânicos. O objetivo é evitar o deslocamento do paciente para ambientes hospitalares e o consequente contato com outros tipos de vírus. 

Assim como o robô esterilizador, o protótipo que ajuda a aumentar a elasticidade pulmonar foi desenvolvido por alunos e professores da UniSociesc e segue para validação da Anvisa. 

Flávio Garcia Sartori, Diretor da Regional Norte da Uniosociesc, lembra que a relação pesquisa-extensão na universidade é indissociável. “Esta é uma oportunidade para os alunos colocarem em prática toda a vivência e robustez do que que foi trabalhado em sala de aula conectados a uma causa nobre em prol da comunidade. Não esperamos viver outra pandemia como essa, mas a oportunidade de aprendizagem foi única, apesar de toda a tragédia.”